Horizonte Invisível

Horizonte Invisível é um ensaio fotográfico documental baseado na vida de 15 meninos e meninas que vivem, a maioria desde recém-nascidos, em um orfanato para crianças afetadas pelo HIV/AIDS em Curitiba. Para a maioria desses garotos a infância já passou, eles são adolescentes que estão entrando na fase adulta sem nunca terem pertencido a uma família. 

A razão primordial pela qual eles ainda vivem em uma instituição de apoio sobre a tutela do estado é que seus processos legais não andam ou não existem dentro do sistema judiciário brasileiro e seus nomes nunca foram inclusos nos registros de adoções, tão pouco no atual Cadastro Nacional de Adoção criado em abril de 2008 para auxiliar os juízes das varas da infância e juventude na condução dos procedimentos de adoção. Essa situação mostra a precariedade de políticas sociais e a falha dos poderes públicos no respeito à prioridade dos direitos da criança e do adolescente.

Esses jovens têm uma condição especial, não a condição de serem seropositivos, mas a condição de serem invisíveis para a sociedade. É por este motivo que nestas fotografias eu não posso mostrar os seus rostos; sobre eles existe um horizonte invisível que, camuflado pela desculpa de proteção, os segrega e os priva de seus direitos. Nestas fotografias, pretendo mostrar com fragmentos extraídos de seus quotidianos dentro da instituição, o quadro maior que se esconde por traz destas imagens; a face do preconceito e da injustiça.


Invisible Horizon

Invisible Horizon is a documentary photography project on the lives of 15 Brazilian boys and girls living, most of them since birth, in an orphanage for HIV positive children in Curitiba, capital of the Brazilian State of Paraná. For some of them, childhood has already gone; they are adolescents becoming adults without ever having had the right to belong to a family.

The primary reason they are still living at the orphanage is the status of their cases does not move through the Brazilian legal system and their names had never been included in the national registry of adoption. The situation highlights the precariousness of social policies and the failure of public and judicial powers in respect of the priority of the rights of the child.

These children have a special condition, not the condition of seropositives, but of being invisible to society. Beyond them lies an invisible horizon that, obscured by the excuse of protection, segregates them and deprives them of their rights. Even with only lightless and faceless fragments of moments extracted from their daily lives, I intend to show the bigger picture behind these images: the face of discrimination and injustice.






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