Em 2005, quando este ensaio foi finalizado, existiam no estado do Paraná, cerca de 12.150 indígenas, pertencentes às etnias Caingangue, Guarani e Xetá, falantes das línguas Jê e Tupi que ocupavam exatos 85.264,3 hectares demarcados, menos de 0,3% da área original, distribuídos 17 terras indígenas demarcadas no estado. Outras dez encontravam-se em fase de regularização fundiária e conclusão processual.

A grande maioria dos indígenas paranaenses pertence ao grupo kaigang, seguindo-se em menor número os guaranis e alguns poucos xetás. No Paraná, a influência indígena começa a se revelar pelos nomes do estado e da capital. Curitiba significa "muitos pinhões" ou “terra dos pinheirais" e Paraná quer dizer "semelhante ao mar".

O índio paranaense, em sua maioria pobre e marginalizado, integra-se, cada vez mais, à comunidade nacional.  A alta taxa de natalidade entre os indígenas faz com que sua população aumente três vezes mais que a dos não índios, enquanto suas terras permanecem do mesmo tamanho. 

O indígena do Paraná possui um modo de vida muito parecido ao do restante da população nacional. Perderam muitos traços de sua cultura original, têm acesso a TV, ao rádio, jogam futebol, dormem em camas, cozinham em fogões, consomem produtos industrializados e, ainda assim, permanecem diferentes do resto da civilização brasileira.

Fazem parte de uma minoria étnica que valoriza o contato com a natureza, a vida em harmonia e igualdade social, não objetivando a acumulação de riquezas e sim a sobrevivência física. Apesar da grande influência e imposição da cultura dominante, demonstram grande resistência, na medida em que conservam alguns aspectos de sua cultura, como é o caso da língua, das crenças religiosas e do artesanato.

Para um índio em tempos atuais, despir-se é tão difícil quanto foi, em 1500, vestir-se. Não há como criar um processo inverso ao da influência e construir uma sociedade indígena como a que havia antes da colonização. O que é possível fazer é salvaguardar o índio e criar condições básicas para a reprodução de sua cultura.

Se o homem branco catequizou, escravizou e impossibilitou ao índio viver em equilíbrio com a natureza, agora é dever deste mesmo homem recuperar, junto aos índios, parte do que foi perdido, além de preservar o que ainda resta desta cultura.

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